Águas passadas
Passam pela minha cabeça enquanto eu vejo a sua foto
Tudo são águas passadas
E tua cara molhada sorri pra mim
O brilo dos olhos está convencido de que convenceu
Tantas outras coisas passam pela minha cabeça e águas passadas
Rios de largura imensa
Largura dos meus cílios
Jorrando e derrubando a mesa
Frutas rolando, maçãs vermelhas e brilhantes,
Maçãs que ninguém saiba,
De pura cera
Recomponho a cena e agora estou num parque
Com duas pessoas que correm ao redor do lago artificial
(eu nunca participei da caminhada da lua)
minha consciência ecológica está vencida
veias saltam deficientes de alimento espiritual
cozinha de petiscos calientes
pepino dourado no balcão
visão apimentada para o almoço
alfafa com almácegas e farei disto um tique verbal
repetirei mil vezes enquanto bato com o dedão do pé na maçaneta da porta e pisco de três em três batidas
estou virando gigante
gigante vencida pelo cansaço
de ter que esquecer tantas coisas, tantas pessoas
o que é este passado e
até quando meu sapato estará na moda
chegarei a gastar a sua sola?
Eu queria gritar enquanto sussuro
Pula aqui no meu colo que eu quero te mastigar bem devagarzinho
Põe a língua no meu pescoço que é o bastante
Não precisa mais dizer ou fazer nada
Lambe a minha nuca
Morde a minha orelha e tudo vem à tona e é indizível
Revistei todas as coisas, compartimentos revistei
Livros caindo das estantes espalhadas por todos os cômodos
Nosso amor e letras
Palavras sem som palavras de imagens palavras lidas
Pensadas
E a fala
A sua voz
Onde anda o som da sua voz
O movimento dos seus lábios
Lindos
Alvorecer de quatro
Manteiguinha derretida
Beiços
Achatados
Pinguela
namorado
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário