Não sei mais que coisa é essa de criar com palavras
Mas queria recriar você
Sentindo o cheiro da grama molhada que não senti com você
Beijando na chuva com estalo de trovão
Te ver naquele segundo em que o raio torna a noite em dia
Vinte mil palavras não sabem o que é isso e eu ainda tento
Borboleta vazia e amarela piscando nos seus lábios
Eu chego até você pelo rastro de brilho que deixaste na água
Fria
Sentado agora na pedra preta molhada que nem você
Pé preto dentro dágua
Gostaria que a mente não desse tantas voltas
Por que passo tantas horas sem pensar e quando paro
São verdadeiros minutos densos
Quase diários dedicados à manter-te na memória
Este carinho despedaçado
Que participa tão inteiro deste sonho
Que a ilusão mascara
Mas são momentos perdidos
Fundidos na noite
Esta noite fria em que encontro a solidão
Bem disposta e eloquente
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